Episódios
e Curiosidades da Segunda Guerra Mundial
A maluca conspiração nazista nos EUA
(The Time, 1o. de maio de 1944 – In "Jornal do Século-1944",
Abril Cultural)
“O Tribunal distrital de Washington foi pequeno para abrigar o
maior julgamento por traição da História dos Estados
Unidos. A questão a ser decidida era de suma importância:
a democracia tem condições de defender-se legalmente?
“Todos os 28 homens e duas mulheres julgados na semana passada
eram passíveis de penas de dez anos de prisão e multa de
10 000 dólares. A acusação: todos os trinta haviam
conspirado para derrubar o governo norte-americano, em favor de uma ditadura
nazista, e tentado desmoralizar as Forças Armadas. A defesa
provável: os réus simplesmente haviam exercido seu direito
constitucional ao exprimirem sentimentos tais como “O ataque japonês
a Pearl Harbor foi deliberadamente provocado por agentes do governo americano”,
ou “O governo e o Congresso dos Estados Unidos são controlados pelos
comunistas, judeus internacionais e plutocratas”, ou “A causa das Potências
do Eixo é a causa da Justiça e da Moral; logo, qualquer ato
hostil contra elas é injusto e imoral”.
“Os acusados formavam um grupo bem heterogêneo. O mais
importante deles era Joe McWilliams, o ‘Führer de mentira’, que costumava
louvar Hitler em praça pública e condenar os judeus nas esquinas
de Manhattan. O calmo Lawrence Dennis, o intelectual do fascismo americano,
sentava-se, soturno, ao lado de James True, criador do movimento A América
em Primeiro Lugar’ e inventor do ‘quebra-cabeça’ – um cacete duro,
fabricado em dois modelos (um especial para mulheres). A Sra. Elizabeth
Dilling, de Chicago, líder da ‘Cruzada das Mães’, fitava
desdenhosamente a Sra. Lois de Lafayette Washburn, muito apreciada pelos
fotógrafos quando fazia a saudação nazista.
“Em nome de seus constituintes – que haviam demonstrado tão
pouco pelo sistema democrático -, 22 advogados exigiam que lhes
fossem asseguradas as garantias democráticas. Durante toda a semana,
os legalistas fizeram uso da tribuna, levantando objeções,
aparteando e protestando. Chegaram até a pleitear a anulação
do julgamento.
“Quase toda a imprensa americana apenas clamava por um julgamento
imparcial e justo. Só o jornal isolacionista Chicago Tribune, órgão
predileto da maioria dos réus, referiu-se com indulgência
aos ‘malucos’ que estavam sendo vítimas de uma ‘campanha difamatória’. |