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Oriza Martins |
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Soluços
dos Violinos de Outono...
2.O mundo em guerra
Na década de 30 o mundo acompanhara o extraordinário programa de rearmamento da Alemanha, indicando que o país preparava-se para uma guerra. Após a derrota na Primeira Grande Guerra, a nação quebrada financeiramente, a inflação galopante, o desemprego alto, o moral nacional em baixa, a população fragilizada emocionalmente, tudo isso constituía um campo fértil para aventureiros da estirpe de Adolf Hitler e seus asseclas disseminarem uma política oportunista, insana e voraz. Hitler fundara o III Reich Alemão, que pretensamente deveria durar mil anos, tendo por base princípios extremamente antidemocráticos: a glória da “superior” raça ariana, o desprezo às raças consideradas “inferiores”, um ódio extremo aos judeus, perseguições aos intelectuais e socialistas, o uso da força bruta como instrumento de poder e uma política expansionista sem escrúpulos e sem limites, com a qual sonhava dominar o mundo inteiro. As nações potencialmente inimigas, entretanto, subestimaram o renascimento do poderio germânico e não se prepararam à altura. Alguns, como Chamberlain, o Primeiro Ministro Britânico, talvez ingenuamente, talvez por razões políticas, apostavam na manutenção da paz, preferindo acreditar que a Alemanha desejava apenas algumas concessões territoriais perdidas em conseqüência da Primeira Grande Guerra, locais onde predominavam populações germânicas. Dessa forma, foi fácil para Hitler apoderar-se da região dos Sudetos - mutilando a Tchecoslováquia -, e anexar a Áustria, em 1938. O resultado dessa inoperância dos Aliados foi um rápido domínio alemão sobre os países invadidos, a começar pela Polônia, em 1º de setembro de 1939. Os nazistas utilizavam, no início da guerra, o sistema blitzkrieg ou a guerra-relâmpago, com o emprego maciço de forças blindadas. Em menos de um mês a Polônia foi dominada e repartida entre a Alemanha e a Rússia - que haviam feito, nessa época, um pacto de não-agressão. Com a invasão da Polônia, imediatamente a Inglaterra e a França, que mantinham com esse país acordos de defesa mútua, declararam guerra à Alemanha. Nos meses que se seguiram, reinou uma estranha calmaria entre os beligerantes. Esse período foi denominado de a guerra de piada ou falsa guerra. Em abril de 1940, os alemães voltaram a aplicar a blitzkrieg, invadindo os países bálticos, a Dinamarca e a Noruega. A França esboçara anteriormente alguma prevenção para se proteger, construindo a Linha Maginot, uma extensa cadeia de fortificações ao longo da fronteira com a Alemanha. Entretanto, ficara desguarnecida sua fronteira com a Bélgica. Hitler decidiu, então, atacar a França através da Bélgica. Invadiu, sem nenhuma advertência, a Bélgica e a Holanda, que eram países neutros, e anexou o grão-ducado de Luxemburgo. A partir da Bélgica, invadir a França, contornando a Linha Maginot, foi tarefa simples para os alemães. Após a invasão da França, o governo francês em pouco tempo depôs as armas, assinando um armistício que custou à nação uma violenta interferência em sua soberania nacional. A França ficou de joelhos: foi praticamente dividida ao meio, permanecendo as partes norte e oeste, a costa atlântica, inclusive a capital, Paris, sob o total domínio alemão, e as partes sul e leste, teoricamente, nas mãos dos franceses, com um governo títere, estabelecido em Vichy, sob a chefia do Marechal Pétain, herói da Primeira Guerra Mundial. Para humilhar a França, Hitler determinou que o armistício fosse assinado na mesma floresta de Compiègne, no mesmo vagão onde a França se rendera à Alemanha na Primeira Grande Guerra. A Alemanha, com plenos poderes sobre grande parte da França, imediatamente anexou ao território germânico a Alsácia e a Lorena, regiões historicamente disputadas entre ambos os países. Os ingleses, que mantinham unidades militares de ajuda na França, tiveram de recuar rapidamente até o litoral, no mar da Mancha. Aconteceu então a famosa retirada de Dunquerque, uma das maiores operações de salvamento da História. As forças navais inglesas, com a intenção inicial de resgatar trinta mil soldados, terminaram, com a ajuda de embarcações particulares, recuperando cerca de 400 mil homens, abandonando todo seu equipamento no solo francês. Pelo armistício entre França e Alemanha, o governo francês seria o responsável pela administração do país, cooperando com os alemães na zona ocupada e financiando os custos de manutenção das tropas alemãs. Aproveitando a derrota da França, Mussolini, o ditador fascista italiano, aliou-se a Hitler, por quem era totalmente dominado, conduzindo também a Itália à guerra contra os países Aliados. Ocupada a nação francesa, Hitler voltou seus interesses para a Inglaterra e desencadeou um plano de invasão à ilha britânica. Iniciou-se então, entre agosto e setembro de 1940, a chamada Batalha da Inglaterra, basicamente aérea, confrontando-se a RAF - Royal Air Force inglesa – e a Luftwaffe alemã. Embora a força aérea alemã, comandada pelo nazista Goering, fosse superior, venceu a tenacidade britânica, subsidiada por um bom serviço de radar e a colaboração de serviços de contra-espionagem. Num momento crucial da guerra, a vitória da Inglaterra significou um marco decisivo para se evitar, no futuro, um trágico desvio na história da humanidade: a escravização do mundo livre a um regime totalitário e insano. Por essa época, ocorria também a Batalha do Altântico, entre as forças navais inglesas e alemãs, combatendo pelo domínio do Atlântico Norte. Ainda que formidáveis encouraçados como o Bismarck dessem grande preocupação ao almirantado inglês, a frota de superfície da Kriegsmarine alemã era limitada, fazendo com que esses navios atuassem independentemente e sem o apoio de nenhum porta-aviões. Os alemães, comandados pelo Almirante Dönitz, portanto, confiavam principalmente em sua tradição submarinista para cortar as linhas de suprimentos navais para a Inglaterra, minando-lhe o esforço de guerra. Os famosos U-Boat, submarinos alemães, eram a maior ameaça aos comboios de suprimentos destinados à Inglaterra. Em 1941, a expansão alemã continuava: as nações capitulavam e a guerra avançava, objetivando os Bálcãs. Para socorrer Mussolini, que invadira a Grécia, Hitler expulsou os ingleses da nação grega e de Creta. Bulgária, Iugoslávia, e todo o norte da África caíram sob domínio do Eixo. A 21 de junho de 1941, entretanto, Hitler mudaria o curso da guerra e da História, cometendo o erro fatal de invadir a União Soviética. A inesperada necessidade de mover unidades para os Bálcãs havia atrasado esta operação, mas a destruição do poder soviético em suas próprias terras e o extermínio dos judeus no mundo eram metas obsessivas de Hitler, delineadas em seu livro Mein Kampf . Em dezembro de 1941, o Japão, que formara com a Alemanha e a Itália e seus aliados o bloco dos Países do Eixo, invadiu a base naval americana de Pearl Harbor, no Oceano Pacífico. Este fato levou os Estados Unidos à guerra contra o Eixo, constituindo-se num dos marcos decisivos para a solução do conflito. A Inglaterra fortaleceu-se e seu território transformou-se no trampolim para a vitória do front ocidental na Europa. * * *
Na França ocupada, o governo do Marechal Pétain significou
uma era de incertezas, de marchas e contra-marchas, plena de confusões
e mistérios. Teve como primeiros ministros primeiramente Laval,
depois Darlan e finalmente ambos - Laval como chefe de Governo e Darlan
como chefe das Forças Armadas, até novembro de 1942, quando
as forças anglo-americanas desembarcaram na costa do Marrocos e
da Argélia, na época sob domínio da França.
Vigoravam, então, na França, todas as bárbaras medidas do programa nazista, entre as quais a perseguição aos judeus, a deportação de prisioneiros para campos de concentração na Alemanha e a cooptação de mão-de-obra nacional para utilização no programa de armamento nazista. No mesmo período, vicejavam os movimentos de Resistência de norte a sul do país, comandados à distância pelo General Charles de Gaulle, que se refugiara em Londres. A exemplo da França, os demais países ocupados também mantinham governos à distância, apoiando a resistência nacional, desde Londres. * * *
Em agosto de 1942, em decorrência do covarde afundamento de navios
mercantes brasileiros pelos alemães, o Brasil uniu-se aos Aliados,
declarando guerra às potências do Eixo e tornando-se o único
país da América Latina a participar diretamente na Segunda
Guerra Mundial.
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